terça-feira, 8 de junho de 2010

O velho e conhecido “fogo amigo”

“Embora não seja uma exclusividade do PT (e as diferenças entre José Serra e Aécio Neves no PSDB estão aí para provar isso), há no partido de Lula uma especial inclinação por divisões internas que têm motivação política”

Uma conceituada jornalista de Brasília, com vários anos de atuação em economia e agora trabalhando numa empresa de assessoria, recebeu há algumas semanas um convite para integrar a equipe de imprensa da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Amiga do chefe da assessoria, que veio com Dilma da Casa Civil, ela foi se aconselhar com ele antes de resolver se aceitaria o convite (que, como se vê, não foi feito a ela por ele). “Deve haver algum engano aí”, espantou-se o assessor de Dilma. “Eu não estou sabendo de nada sobre isso”. Diante da informação, a jornalista preferiu ficar no emprego em que já estava. 

Ficou evidente para essa jornalista que ela integraria uma equipe paralela à equipe oficial. Para fazer o quê ou para responder a quem, ela preferiu nem saber. O sinal que acendeu para ela dizia em grandes e garrafais letras vermelhas: “Isso é rolo na certa”.

A história ilustra o que está por trás da história do tal dossiê que se estaria preparando por alguma parte da equipe de Dilma contra José Serra. As velhas disputas políticas de sempre, as velhas desconfianças das tendências petistas umas contra as outras criaram o ambiente a partir do qual fermentou a tal história. Setores paralelos trabalham sem que um dê satisfação para o outro, desconfianças fazem com que uns vigiem os outros. E alguém tem ideias brilhantes que não comunica aos demais (provavelmente porque tem certeza de que, no fundo, as ideias não são mesmo tão brilhantes assim). 

Duas coisas aconteceram no rolo do dossiê. O jornalista Amauri Ribeiro Júnior já fizera, para um livro que vai publicar, uma investigação sobre o processo de privatização no governo Fernando Henrique Cardoso. De fato, há imenso potencial de escândalo ali, desde a história do tal “limite da irresponsabilidade”, dito pelo ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, no famoso grampo do BNDES. Ele é procurado por Luiz Lanzetta, dono da empresa que o PT contratou para que ela subcontratasse a equipe de assessoria de Dilma. Lanzetta estava interessado nas informações que Amauri coletara, para eventualmente aproveitá-las na campanha. E o convida para um almoço em que também estava o ex-delegado da Polícia Federal Onésimo de Souza e dois “agentes” que trabalhavam com ele. São tipos comuns em Brasília: ex-policiais, ex-agentes de inteligência que trabalham como arapongas a soldo fazendo investigações a quem lhes pagar contra quem os contratantes determinarem. Na linha da desconfiança de todos contra todos, eles deveriam apurar quem eventualmente na campanha de Dilma poderia ter ligações e estar repassando dados confidenciais para Serra.

O primeiro ponto complicado é misturar na mesma mesa um jornalista com esses investigadores. Eles fariam o mesmo tipo de coisa? Amauri é um conceituado repórter investigativo. O interesse de Lanzetta iria além das informações que ele teria sobre as privatizações? Ele participaria de outras investigações? Se não, por que estava ali, naquela mesma mesa com os agentes?

O mais enrolado da história é que, de acordo com todas as versões, Dilma nada sabia sobre a reunião nem sobre que coisas aquele grupo estava destinado a apurar. E, quando soube, mandou parar com tudo. Isso tudo é parte da mesma história contada no primeiro parágrafo, de movimentos paralelos, fora do oficial. Embora não seja uma exclusividade do PT (e as diferenças entre José Serra e Aécio Neves no PSDB estão aí para provar isso), há no partido de Lula uma especial inclinação por divisões internas que têm motivação política. E como levar isso a consequências que, parafraseando Ricardo Sérgio, fogem do “limite da irresponsabilidade”.

A mesma história de desconfiança de que alguém repassava informações do governo para Serra foi levantada por José Dirceu quando ele era ministro da Casa Civil no começo do governo Lula. Dois assessores que já haviam trabalhado com Serra foram, na época, apontados como suspeitos. Nada se provou, tudo pareceu mesmo uma paranóia sem sentido que só serviu para tornar meio irrespirável o ar no quarto andar do Palácio do Planalto, onde ficam a Casa Civil e a Secretaria de Assuntos Institucionais.  No fundo, intrigas que alimentavam disputas internas de poder. Como agora. O velho e conhecido “fogo amigo”.

No embalo em que está a campanha de Dilma, é difícil que tal episódio traga maiores prejuízos eleitorais. Mas o “fogo amigo”, quando não acaba por ferir de fato algum aliado gravemente, no mínimo provoca uma imensa e desnecessária perda de energia, que, na verdade, deveria estar sendo usada contra o inimigo.

Caos no Judiciário deve acabar hoje



Karina Baracho



Os servidores do judiciário completaram ontem a tarde o trigésimo dia de greve em clima de São João. Enquanto do lado de dentro processos se acumulam, literalmente, no chão dos corredores vazios, do lado de fora, foi montado um arsenal para o entretenimento, incluindo baralhos, dominós, palavras cruzadas, água, café e cartazes. Para completar o cenário do Fórum Ruy Barbosa, o forró vem de um carro de som. Serviços como marcação de casamentos e certidões de óbitos continuam parados.
Depois de duas reuniões na manhã e tarde de ontem, na sede do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ/Ba) entre a presidente Telma Britto e representantes dos servidores, parece que a greve vai ter um ponto final. Na manhã de hoje, às 9 horas, vai acontecer uma assembléia na Assembleia Legislativa, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), onde as propostas e contra-propostas serão apresentadas à categoria.
“Essa avaliação da presidente indica que há possibilidade de avanço na resolução desse impasse”, diz o diretor de finanças do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Bahia (Simpojud) Jorge Cardoso Dias. Confiante, ele acredita que a situação seja resolvida hoje. “Porém, tudo que for proposto deve ser chancelado pela categoria em assembleia”, acrescenta.
Os servidores já conseguiram junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma liminar de providência que atinge um grupo seleto de servidores. “Sobre os super salários que não podem mais continuar”, explica Dias. Porém, a categoria reivindica ainda a situação do artigo 152, que suspende a Gratificação de Eficiência (GE). “Com isso o trabalhador perde uma média de R$ 360 do contra cheque”, acrescenta.
Outra reivindicação é em relação ao Projeto de Lei que está prestes a ser votado pela Assembleia Legislativa. “Está previsto para ser votado amanhã (hoje) e proporcional adicionais sem critérios e não é isso que queremos”, diz ele. Acrescentou ainda que a classe pleiteia tais melhorias para proporcionar melhores condições de trabalho e igualdade entre os funcionários.

Redução dos salários – De acordo com a presidente da Associação dos Magistrados do Estado da Bahia (AMAB), Nartir Dantas Webber, com a redução dos super-salários, novas medidas poderão ser tomadas. “Como a realização de concurso para servidores e juízes. O que vai agilizar ainda mais o nosso trabalho”, ressalta. O estado possui 417 municípios, mais de 14 milhões de habitantes e 594 juízes para 275 comarcas. “Apenas em Salvador temos cerca de 230 juízes. Existem cidades com déficit muito grande no judiciário”, explica a presidente.
De acordo com a lei, serviços essenciais, como os do judiciário devem ter as atividades mantidas em no mínimo 30% mesmo em períodos de greve.
Ato de reivindicação em Brasília – Hoje, servidores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União vão participar de ato público, às 15h, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Em greve desde o início de maio, os servidores pretendem cobrar do presidente do STF, ministro Cezar Peluso, agilidade nas negociações com o governo federal referente à proposta de revisão salarial da categoria (PL 6613/09), que tramita na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados desde o final do ano passado.
O ato está sendo organizado pela Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do MPU (Fenajufe), com o apoio dos sindicatos de base, que representam os servidores em cada estado. Segundo a Fenajufe, os servidores não voltarão ao trabalho enquanto não verem seus planos de cargos e salários negociados e aprovados no Congresso Nacional.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pais têm três dias para comprar cadeirinha de carro e evitar multa gravíssima de R$ 191



pe360graus


Quem ainda não comprou a cadeirinha de carro, deve aproveitar os últimos dias antes de a nova lei de trânsito entrar em vigor. A partir da próxima quarta-feira as crianças de até 7 anos e meio não podem mais andar soltas no banco de trás do carro. As cadeirinhas especiais se tornam obrigatórias e quem não cumprir a regra corre o risco de levar uma multa gravíssima, pagar R$ 191,54 e perder sete pontos na carteira. Em São Paulo, os três primeiros dias serão apenas de orientação. A multa mesmo só será aplicada, segundo CPTran (Comando de Policiamento de Trânsito) da capital paulista, a partir do dia 12. Mas no resto do país, a nova lei estará valendo. 

Lula e a pimenta na moqueca



Tasso Franco


A presença do presidente Lula da Silva na próxima quinta-feira, 10, em Salvador, às vésperas da Convenção nacional do PSDB na Bahia, 12, no Centro Espanhol, com a presença de José Serra e de toda cúpula tucana, coloca pimenta na moqueca política baiana numa semana que agiatará o cenário político local e põe o Estado em posição relevante no Nordeste, 4º colégio eleitoral, e base de ações dos partidos para a região. A visita de Lula foi programada após a divulgação bem antecipada da festa tucana. Ao que tudo indica, servirá de contraponto à investida da coligação DEM/PSDB no estado em reforço a Paulo Souto e também a Serra no Nordeste. Óbvio que Wagner não iria deixar que fosse servido esse vatapá em seu terreiro sem uma reação.
E isso virá com a presença do seu mais forte cabo eleitoral, o presidente Lula, o qual, segundo a última pesquisa Ibope/Rede Globo divulgada no fim de semana, tem a marca de 82% de aceitação de ótimo/bom no NE, com apenas 4% de ruim/péssimo, número extraordinário e nunca conseguido por outro presidente. Além disso, a pesquisa revelou sua candidata a presidente (Dilma) em ascensão com 37% das intenções de votos; contra 37% de José Serra; 9% de Marina Silva (PV). Numa hipótese de segundo turno, Dilma (42%); José Serra (42%). Uma polarização nunca vista numa fase ainda de pré-campanha restando apenas 7% do eleitorado que ainda não se decidiu.
Todo esse caldo de cultura no tabuleiro da baiana, com Souto nos calcanhares de Wagner e Geddel trabalhando para crescer e dividir os louros da popularidade do presidente e do palanque Lula/Dilma, revela a preocupação do governador em indentificar ainda mais o seu governo com o presidente da República, na relação PT com PT e não PT com PMDB, a fim de conseguir dividentos eleitorais. No momento, a imagem do governo Wagner sofre desgaste com essa onda crescente da violência, sobretudo a partir do assassinato do delegado Clayton Leão, e isso deve refletir em números de intenções de votos.
Portanto, amparar-se em Lula é sempre um reforço considerável. Diz-se que o presidente não virá somente para a inauguração do Palácio Rio Branco, mas, também, trará um pacote de bondades para a Bahia, incluindo o Centro Histórico de Salvador. Estratégia, aliás, que não é nova no PT. Lula, quando eleito pela primeira vez, em 2002, teve uma extraordinária votação em Salvador, mais de 80% dos votos válidos, mas, estranhamente, ficou quase um ano sem vir à Bahia. Época do então governo Souto e do prefeito Antonio Imbassahy, no final de 2003, quebrou o jejum para anunciar a retomada das obras do metrô. E, evidente, ajudar o companheiro Nelson Pelegrino, o qual era candidado a prefeito de Salvador.
Imbassahy saiu em 2004 da Prefeitura de Salvador. Quem venceu o pleito foi João Henrique (PDT), num segundo turno contra César Borges (PFL) e Pelegrino (PT) ficou em 3º lugar, com o PT alinhando-se, posteriormente, ao governo de João. Imaginava-se, pois, que o metrô avançasse. Ao contrário, encolheu. Wagner ganhou a eleição em 2006 com a casadinha acarajé/abará Lula/Wagner e assumiu em janeiro de 2007. E Lula engrenou seu segundo mandato em 2007. Juntos, pois. Aí a relação governo da Bahia com governo federal se modificou, ainda que se esperava mais dessa aliança em resultados para o estado.
Isso não aconteceu de forma mais direta porque a engrenagem, a engenharia política e de gestão maltratada na relação Souto/Lula, teve que começar praticamente do zero. E outros estados do NE, que já vinham embalados, especialmente Pernambuco e Ceará, avançaram. O governo federal tem dispensado atenção à Bahia. Tem. A questão é que os projetos são estruturantes e demoram anos para serem executados: Transposição das Águas do Rio São Francisco, Ferrovia Oeste/Leste, Ponte Itaparica/Salvador e remodelagem do Recôncavo, recuperação do Porto e Malha Rodoviária e assim sucessivamente. E Wagner tem que apresentar resultados agora, até outubro de 2010, para dar continuidade ao seu projeto político.
A presença do presidente Lula em Salvador tem, assim, dois significados: pagar dívida com o Estado que sempre lhe dá um número de votos excepcional e ajudar o companheiro Wagner, a joia mais importante do PT na Federação. Dilma vencendo com Wagner governador é uma coisa. Com Souto é completamente diferente. E se for Serra/Souto, então, é a morte para o PT.

O governo Wagner não correspondeu à imensa expectativa da Bahia



Osvaldo Lyra- Editor de Política



O ex-deputado Genebaldo Correia é um dos nomes do PMDB cotados a assumir uma vaga na Câmara dos Deputados. Ele, que andou afastado da política nos últimos anos, disse que não se arrepende de nada do passado e que está “absolutamente tranquilo” sobre seu envolvimento no escândalo dos Anões do Orçamento, já que nunca recebeu nenhuma condenação sobre o assunto. Nessa entrevista concedida à Tribuna da Bahia, ele fala da perspectiva de crescimento do pré-candidato do PMDB, Geddel Vieira Lima, das chances de ir para o segundo turno com o governador Jaques Wagner e da estratégia de mirar no democrata Paulo Souto para alcançar esse objetivo. Sobre um eventual apoio do DEM na segunda fase do pleito, Genebaldo diz ser possível, mas admite que não será automática. “Vai depender das circunstâncias desse segundo turno”. Sobre a divisão do palanque de Dilma Rousseff com o PT baiano, ele diz que aqui não será a exceção, já que a petista terá dois palanques em vários estados do país. Genebaldo disse também que não aceitará provocação da prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho, que chamou o ex-ministro Geddel de deselegante e oportunista. “Ela deve estar sem discurso internamente, uma vez que seus adversários estão sendo mais prestigiados do que seu próprio grupo”. Numa avaliação sobre o governo do estado, o peemedebista diz que Wagner “não correspondeu à imensa expectativa da Bahia e que não vemos as mudanças naquilo que nós lutávamos tanto tempo antes”. Ele acredita ainda na vitória de Dilma e que o presidente Lula vai fazer o sucessor.

Tribuna da Bahia – O ex-ministro Geddel Vieira Lima está em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos, com 9%. O que fazer para reverter esse quadro?
Genebaldo Correia – Com certeza é fazer o que ele vem fazendo. Viajando e tendo contato direto com a população. É evidente que entre os candidatos que estão na disputa, ele é o menos conhecido. Agora é importante a gente dizer que as pesquisas também indicam que 80% da população não conversa sobre política. Nesse período pré-eleitoral, o mundo da política se restringe aos candidatos, aos prefeitos, deputados, funcionários de órgãos públicos, ou aqueles que têm contato com o poder público. Então, o que Geddel precisa ter é acesso ao povo para dizer o que pensa e o que pretende fazer pelo estado. Inclusive, toda vez que ele tem contato com a população, ele empolga. Por isso, tenho a certeza de que ele vai crescer e muito no horário eleitoral gratuito e nos debates, período em que ficará em igualdade com o ex-governador (Paulo Souto) e com o atual (Jaques Wagner), que está todo dia na mídia e com a máquina na mão.


TB - Há chances de ele ir para o segundo turno e com quem?
Genebaldo – Há chances reais sim. É evidente que a força da máquina nos faz prever que o atual governador estará no segundo turno e é evidente também que, para Geddel chegar á próxima fase do pleito, ele terá que ultrapassar o ex-governador Paulo Souto, o que acredito que acontecerá ao longo da campanha.


TB – Em caso de uma possível derrota no primeiro turno, o PMDB apoiaria o PT baiano, por ser aliado nacionalmente?
Genebaldo – Eu acho que uma previsão tão antecipada sobre o que vai acontecer nessa eleição não é prudente. Temos a certeza que a disputa no estado se dará em dois turnos, mas a eleição nacional também deverá ser definida na segunda etapa do pleito. A presença da Marina (Silva, do PV) no processo determina a realização da eleição federal também em dois turnos. E no segundo turno será outra eleição.


TB - O DEM participa da gestão João Henrique, do PMDB. Ambos os partidos têm candidato próprio ao governo do estado. Diante disso, é possível dizer que há entendimento com os democratas para um eventual segundo turno?
Genebaldo – Não. Não necessariamente. Isso significa que se foi possível um entendimento na prefeitura de Salvador, em circunstâncias parecidas, é possível que também haja entendimento num eventual segundo turno da eleição no estado. Os partidos então convivendo numa administração municipal com razoável entendimento. Então é possível também que haja uma convivência numa futura gestão do estado. Agora, uma coisa, necessariamente, não implica na outra, que seja automática. Vai depender das circunstancias desse segundo turno.


TB - Em relação à chapa majoritária, o que dificulta o anúncio, já que o PMDB possui um arco amplo de alianças? Faltam nomes de peso, com densidade eleitoral?
Genebaldo – Por acaso o vice-prefeito Edvaldo Brito e o vice-governador Edmundo Pereira não são nomes de peso e não possuem densidade eleitoral? O atual vice governador é, inclusive, um nome disputado. Tentaram segurar ele do lado de lá. Mas não é essa a questão. Primeiro que não passou a hora de anunciar a chapa, já que a convenção ainda será realizada no próximo dia 19. E segundo que nosso agrupamento tem 11 partidos. É preciso que isso seja discutido amplamente. Quem tinha pressa de anunciar a chapa era o governador. A nossa não. 
 
TB - E quanto à questão do palanque duplo para Dilma na Bahia, como ficará a relação entre o PT e o PMDB, que são adversários no estado?
Genebaldo – A Bahia não será uma exceção. Em vários estados nós teremos dois palanques para Dilma. É natural que a candidata venha para eventos do PT e momentos do PMDB. Se ela veio no anúncio da chapa do PT, ela virá para a convenção do PMDB. E temos que levar em conta que o discurso sobre a Presidência da República é de unidade. Até porque, na administração federal, o PMDB não sofreu as restrições que sofreu aqui com o governo estadual. O Lula realmente prestigiou o PMDB com seis ministérios, dando liberdade para trabalhar. Então é uma aliança que no plano federal deu certo. Na Bahia, não deu certo. Então aqui o palanque será de críticas ao Governo do Estado, mas de defesa da continuidade da política nacional, sob a liderança do presidente Lula. Então, não teremos grandes dificuldades. Agora, é claro que o tom da relação será dada pelo Governo do Estado. Na medida em que a gente for mal- tratado, saberemos responder à altura.


TB – Moema chamou Geddel de “deselegante” e “oportunista”. Por ser coordenadora da campanha de Dilma no Nordeste, o senhor acredita que isso pode dificultar ainda mais a relação do PT e o do PMDB durante a campanha?
Genebaldo – Eu creio que não. Isso não será motivo de perturbação para nós. Se ela está pretendendo desviar as nossas atenções para este tipo de debate, esse tipo de provocação, certamente está enganada. Ela deve ter seus motivos para estar querendo conduzir a campanha para esse rumo, porque deve estar sem discurso internamente, uma vez que seus adversários em Lauro de Freitas estão sendo mais prestigiados do que seu próprio grupo. Então, a gente compreende essa dificuldade de discurso da parte da prefeita, e não vamos aceitar a provocação.


TB – Há quem diga que o PMDB pavimentou a candidatura de Geddel dentro do próprio governo, que ele usava a máquina para construir a candidatura. O senhor concorda com essa análise?
Genebaldo – É verdade que participamos do governo, agora de forma diferente do procedimento do PT. Nós participamos do governo porque tínhamos o direito de participar, porque fomos parte da campanha vitoriosa, ajudamos a eleger o governador. Então não foi adesão de última hora, nem troca de favor. Agora, no momento que percebemos que não dava para continuar, a gente entregou os cargos com mais de um ano de antecedência, deixando o governador absolutamente à vontade, mesmo antes da proibição da transferência de partidos, para ele rearrumar o governo dele. Não fizemos como o PT fez na prefeitura de Salvador. Que participou até os 44 minutos do segundo tempo e depois saiu do governo e foi para a rua para atacar o PMDB, em plena campanha eleitoral. Hoje o governador diz que está no governo e tinha a preferência do apoio para disputar a reeleição. Mas perguntamos: e João Henrique, não estava no governo e não tinha o direito de disputar a reeleição? Não era legítimo o pleito PMDB, de reeleger o prefeito? Esse julgamento que a gente não compreende. Em um momento a favor de um, mas em outro não quer que seja a favor do outro. 
 
TB – Como avalia o governo Wagner?
Genebaldo – Como um governo que não correspondeu à imensa expectativa da Bahia e que não vemos as mudanças naquilo que nós lutávamos tanto tempo antes. Ele não conseguiu corresponder a essa expectativa. Em segundo lugar, é um governo sem marca. Qual a marca do governo Wagner? Quais foram os setores que ele privilegiou? Nós sabemos que não se pode resolver todos os problemas, mas qual o setor que ele resolveu? Você não encontra.


TB – O governo diz que a principal marca é a mudança no social...
Genebaldo – Essa mudança no social quem está fazendo é o presidente Lula, é o governo Federal. Ele aqui apenas desenvolve os projetos, mas com recursos federais. Quais foram os grandes investimentos com recursos do estado, no social? Não tem. Ele está ignorando a gravidade na saúde e da segurança. Não há uma proposta diferenciada do governo. A ação de comprar motos, comprar viaturas e colocar na Avenida Paralela, comprar viaturas para substituir as antigas, isso é manutenção, serviço de continuidade. Mudar carro velho por novo não resolve os problemas. Mantém centenas de delegacias sem delegados. As ações que você possa dizer ‘a Bahia está apresentando uma metodologia, uma proposta diferenciada de combate, reunindo os delegados, promovendo discussão, debate, convocando a universidade, os professores, para opinar as questões da segurança e sobre como enfrentar’.


TB – O senhor disse recentemente que a ida de Otto Alencar para vice de Wagner se daria no “plano eleitoreiro”, interessados apenas na "vitória pela vitória". A população vai entender esse tipo de mudança de postura, de um carlista no campo do PT?
Genebaldo - Eu acho até que o carlismo não vai ser tema da campanha eleitoral. Por motivos óbvios: os carlistas já são carlistas, tem carlistas na aliança com o PMDB, como o senador César Borges, e tem carlista na aliança do PT, como Otto Alencar. Agora, o que é que a gente vê dificuldade no governo Wagner é que ele não poderá falar em herança maldita. Se falar, vai ficar vermelho. Tem essa dificuldade, que complica o discurso dele, de que gostaria de ter um confronto com o carlismo, para mostrar que fez mais e melhor que os carlistas. Ele não vai ter essa oportunidade, porque perdeu todo o seu discurso.


TB – O senhor considera que há excessos quando se fala que houve conotação política na liberação de recursos do Ministério da Integração Nacional para prefeituras do PMDB?
Genebaldo – Eu acho que isso é natural que ocorra, porque o ministério atendeu e bem, dentro de suas possibilidades, a Bahia. Não só prefeituras do PMDB, mas também de outros partidos. Mas quem faz essa crítica é porque não acompanha quem comanda os outros ministérios, e outros órgãos do governo que são administrados por pessoas de origem em outros estados. Vá ver quanto o BNDES emprestou para a Bahia e quanto emprestou para São Paulo e Rio de Janeiro. Isso é natural, que o ministro dê preferência pelo seu estado, principalmente, se for um estado do Nordeste, onde há uma defasagem no Orçamento da União. Então você não pode acabar com os desníveis regionais se der o mesmo tratamento do Nordeste aos estados do Sul, ou outra região. O fato concreto existe. De fato houve maior transferência para cá, mas de certa forma há uma explicação para isso.


TB – Como a própria Tribuna da Bahia mostrou recentemente, a construção de uma adutora em seis municípios próximos a Coronel João Sá.
Genebaldo – Uma obra que não é do município, mas que é absolutamente regional e vai beneficiar mais de 300 mil habitantes da região.


TB – Depois de tanto tempo afastado da política, o que mudou na vida do senhor?
Genebaldo – Não mudou. Pode ter mudado no aspecto físico, no cabelo branco, agora a minha vocação política permanece, tanto que eu continuo querendo dar a minha contribuição ao meu partido e ao meu município, onde disputei mandato de prefeito, e estou aqui para a luta. Então a minha vocação a vida toda foi para a atividade política, e nela eu estou.


TB – O que fez no passado que não voltaria a fazer de novo?
Genebaldo – Eu não tenho nenhum arrependimento do que fiz no passado. Tanto até que você está com uma certa cerimônia de abordar uma questão que absolutamente não me causa constrangimento. Eu fui realmente acusado naquele processo, e não é diferente de muitos outros na história do país que foram também acusados, como Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas, que, quando se suicidou, a oposição disse que era mar de lama. Quando se vem mais para cá, vê eventos recentes também de pessoas que estão sendo acusadas e que estão respodendo a isso.


TB – Então, qual a lição extraída do episódio dos Anões do Orçamento?
Genebaldo – Isso aconteceu em 1993 e, de lá para cá, já são 17 anos. Eu pergunto: nesse período, que sentença me condenou por alguma coisa? Nenhuma. Em nenhum grau e isso me deixa absolutamente tranquilo. Que experiência eu tiro disso? É que a vida política é cada vez mais uma atividade de risco, sacrificante, que expõe as pessoas, a sua honra, a sua dignidade para um julgamento momentâneo e circunstancial. Isso me deu a experiência de ter a maturidade de enfrentar essas situações com a absoluta tranquilidade.


TB – Acredita em uma vitória de Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB) na corrida presidencial?
Genebaldo – Acredito na vitória de Dilma. O presidente Lula vai fazer o sucessor. Não dou muito crédito a quem diz que não há transferência de votos. Nós que vivemos na Bahia sabemos que quando o governante está forte, ele faz o candidato. Eu me lembro que quando Paulo Souto se lançou candidato, a princípio, na liderança, o título dele era ‘Paulo Souto, candidato de ACM’. Era líder não por ser Paulo Souto, mas por ser candidato de ACM. É o que está acontecendo com a Dilma, que é candidata de Lula. Há até uma piada, de que perguntaram a um eleitor que recebe o Bolsa Família em quem ele votaria, e ele respondeu: ‘Na mulher de Lula’. Responderam: ‘Mas a mulher de Lula nem é candidata’. Ele retrucou: ‘É sim, é Dilma’.

Veja como seu Fiesta pode ficar diferente


Nos Estados Unidos surgiu uma nova mania em relação a pinturas exclusivas nos automóveis. Os motivos utilizados são os mais diversos como flores, peixes, pinturas artísticas de grafiteiros, desenhos geométricos etc.
Para dar sugestões de como transformar a identidade de um automóvel, de forma fácil, eficiente e divertida, os proprietários de veículos da marca Ford dispõem de um site que oferece diversos modelos de decoração personalizada com grafismos em vinil que oferecem a aparência de uma verdadeira pintura

O site - www.fordcustomgraphics.com  – que apresenta grande variedade de desenhos para aplicação em vinil, com o objetivo de proporcionar exclusividade com novos grafismos, está se expandindo para também atender proprietários de dois dos carros mais customizados nos Estados Unidos - o Ford Mustang e a picape F-150.


50 projetos
Para permitir aos clientes colocar uma marca pessoal no seu veículo, foram criados cerca de 50 projetos específicos, todos disponíveis em uma grande variedade de cores e tamanhos.
Proprietários de Ford Fiesta, que agora entra com força no mercado norte-americano, já podem escolher uma gama variada a partir de desenhos cool, divertidos como as bolhas, setas, listras, chamas, pontos ou flores.
O Ford Custom Graphics oferece aos clientes a aparência de desenhos personalizados, pela metade dos preços das pinturas decorativas artesanais. Uma grande vantagem é que o vinil pode ser facilmente removido, se o cliente desejar um novo projeto ou decida por vender o veículo.
 Além disso, todos os gráficos personalizados utilizam recursos da 3M Scotchprint ® On-Demand em vinil de alta qualidade que inclui uma garantia de três anos ou 60 mil quilômetros de uso.
Veículo personalizado tem seu mercado
40 anos atrás, se você quisesse personalizar um veículo o jeito era pendurar algum enfeite no espelho retrovisor ou colar um adesivo da moda no pára-choque. Hoje, o mercado de reposição automotiva, nos Estados Unidos, cresceu para se transformar em uma indústria de quase 32 milhões dólares/ano e inclui de tudo que se possa imaginar.
Com os produtos especiais como os grafismos personalizados e uma grande variedade de acessórios para qualquer veículo da marca, a Ford visa uma maior fatia do bolo do “aftermarket”.
Atualmente, as pessoas estão personalizando tudo – celulares, computadores, roupas, sapatos, chapéus, camisetas etc e não poderia ser diferente em relação ao automóvel. De olho nesse mercado e para sempre se colocar na vanguarda da moda, a Ford entendeu que a idéia de grafismos personalizados, sob encomenda, reúne crescente interesse no mercado e espelha uma tendência atual da sociedade.
O objetivo de muitas pessoas é se destacar na multidão. Para tanto, um grafismo identifica melhor a personalidade do proprietário e lhe confere exclusividade na aparência do seu veículo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Governo injeta recursos na Segurança



Rafael Rodrigues


As declarações dos pré-candidatos ao governo do Estado não deixam dúvidas de que a segurança pública será o principal tema da campanha deste ano. Entre os indicadores sociais, este é o mais preocupante para a cúpula do governo Jaques Wagner.
Só no ano passado foram 4,7 mil mortos no estado. Para reverter a situação e demonstrar à população empenho em reduzir os índices de violência, a ordem do governo é investir o quanto puder na pasta. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, foram empenhados em Segurança Pública R$651,7 milhões, valor inferior apenas ao que foi gasto em Saúde (R$ 1,1 bilhões) e Educação (R$ 916 milhões), de acordo com dados do Sistema de Informações Contábeis e Financeiras (Sicof), da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz).
Embalado com aumento recorde na arrecadação com receitas orçamentárias de 28,37% no primeiro quadrimestre do ano, o governo aumentou os gastos com investimentos em Saúde, Educação, Infraestrutura e Segurança Pública em 126%. As projeções da Sefaz apontam que toda a verba alocada no orçamento para investimento na Segurança, R$53,3 milhões, deve ser aplicada, o que representará um aumento de 100%, se comparado ao que foi empenhado no ano passado. Em 2009, dos R$143,1 milhões disponibilizados à Secretaria de Segurança Pública para investimentos, apenas R$ 26,6 milhões foram gastos.
Comparação – Mesmo com índices de investimento mais modestos nos primeiros anos da atual gestão, governistas endossam que os números são favoráveis a Wagner.  De acordo com o líder do governo na Assembleia, deputado Waldenor Pereira (PT), os recursos aplicados no setor, se considerados os gastos com investimentos e custeio, aumentaram em 20%, entre 2007 e 2009, passando de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,9 bilhão.
O aumento nos gastos da segurança é resultado também do acréscimo no gasto com folha salarial, devido à contratação de 3.325 novos soldados para a Polícia Militar, 44 delegados, 147 agentes investigadores e 111 escrivães para a Polícia Civil, nos três anos de Governo. Outros 2.121, convocados em dezembro de 2009 estão no Curso de Formação de Soldado da PM, e serão incorporados ainda este ano. No mesmo período, 1.688 novas viaturas foram adquiridas pelo estado.
 O governador Jaques Wagner (PT), em seu programa semanal de rádio, Conversa com o Governador, reconheceu a dificuldade de enfrentar o aumento da violência. “A questão de segurança é o desafio de todos os governos na modernidade em função, infelizmente, da questão das drogas e, particularmente, do crack”, mas assegurou que manterá o planejamento atual, de “aumento de contingente; melhoria da qualificação profissional e melhoria da infraestrutura, seja de equipamentos, seja de veículos”.

Nunes destaca queda no índice

O secretário de Segurança Pública, César Nunes, destaca que o planejamento de sua pasta previa a recomposição das frotas e o aparelhamento das polícias, diretrizes que estariam sendo cumpridas com a contratação de novos policiais, renovação da frota e aquisição de equipamentos como coletes, armas e munição. O secretário destaca ainda “reestruturação das carreiras e capacitação dos profissionais, viabilização de incrementos salariais significativos”, devido à aprovação dos planos de carreira e leis orgânicas das policias baianas.
Apesar de ponderar que o resultado “não é motivo para comemorar”, o secretário destaca que em 2009, na Região Metropolitana de Salvador, o número de homicídios diminuiu cerca de 2%. “Pelo ao menos não tivemos o crescimento. Tivemos em Salvador praticamente o mesmo número de homicídios. Tivemos 2.192 homicídios em 2009 e em 2008 tivemos 2.210 em 2008”, endossa. Ele destaca que o crescimento da violência já era registrado nos governos anteriores: “De 2002 a 2008, a violência vinha crescendo na Bahia na ordem de 30 a 40%”.
Nunes respondeu, de forma velada, às críticas do pré-candidato do PMDB ao governo baiano, Geddel Vieira Lima, que, em seu blog, sugeriu que o cargo de secretário da SSP fosse ocupado por um membro da Polícia Militar. “O outro disse que deveria ter um coronel no comando da Secretaria. Eu até acho que um policial militar poderia ser sim secretário, não necessariamente um coronel.
Um policial civil, um promotor de Justiça, advogado, alguém que entenda de lei, de investigação, de polícia judiciária, alguém que entenda de inteligência policial, de operação policial e que sabe investigar. Qualquer pessoa que reúna essas características pode ser. Só não pode ser o pai dele(Afrísio Vieira Lima) de novo, porque aí vai ser um desastre”, disparou.

Opositores miram nas atuais estatísticas

O pré-candidato do DEM ao governo, o ex-governador Paulo Souto, reiteradas vezes também aborda o problema da violência. Este é o mote, inclusive, de suas inserções na TV pelo tempo partidário do partido, em que aparece em cidades do interior do estado denunciando o aumento da criminalidade em locais que não eram atingidos pelo problema. “Nos últimos três anos, 13 mil pessoas foram vítimas de mortes violentas na Bahia.
Só, em 2009, ocorreram 4.769 homicídios no território baiano, enquanto, em São Paulo, que tem uma população muito superior, houve 4.557 assassinatos”, denunciou, em entrevista a uma rádio local.
O deputado federal Geddel Vieira Lima (PMDB) compara os empenhos com publicidade em 2009 (R$108,5 milhões) ao que foi destinado ao aparelhamento da Segurança Pública, R$ 26,6 milhões. “É inaceitável que a despesa com propaganda supere em quatro vezes o investimento em segurança. O governo da Bahia hoje considera a vida dos baianos quatro vezes menos importante que os outdoors e os comerciais de televisão”, disparou. 

Geddel confirma Dilma em convenção



Evandro Matos


O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer, afirmou ontem que na próxima semana o partido entregará à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, suas propostas para o programa de governo. As sugestões do partido foram divulgadas na semana passada e Temer já havia sido indicado pela executiva para ser vice na chapa petista. Já na Bahia, reafirmando a aliança entre as duas legendas, o pré-candidato do PMDB ao governo baiano, Geddel Vieira Lima, confirmou a vinda de Dilma e Temer para a convenção estadual peemedebista, no próximo dia 18.
A informação foi dada durante entrevista concedida ao programa Aratu Notícias, na TV Aratu. “Ela ligou para mim, agradeceu o convite e disse que estará aqui, acompanhada do candidato a vice-presidente Michel Temer”, disse o peemedebista. Dilma Rousseff deverá ser oficializada como candidata do PT no dia 12, um dia depois da convenção nacional do PMDB, que vai oficializar Temer como vice.
Na entrevista, Geddel disse não ver qualquer dificuldade no fato de apoiar a candidata do PT à Presidência e, ao mesmo tempo, se colocar como adversário do governador Jaques Wagner (PT). “Nós vamos apoiar nacionalmente um projeto que tem dado certo para o Brasil e não poderíamos continuar apoiando, na Bahia, um projeto que não tem sido bom. Os indicadores das mais diversas áreas, segurança, saúde, atração de investimentos, arrecadação, estão aí a mostrar que nós estamos perdendo espaço para outros estados do Nordeste”, pontuou.
O ex-ministro disse também que a chapa majoritária do partido para a eleição estadual será anunciada antes da convenção e que não haverá surpresas. Além do seu próprio nome e do senador César Borges, que disputará a reeleição, os outros dois nomes para preencher as vagas de vice e do Senado serão escolhidos entre as opções que vêm sendo especuladas na imprensa: o vice-governador Edmundo Pereira (PMDB), o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB), o presidente estadual do PSC, Eliel Santana, e as deputadas Virgínia Hagge e Marizete Pereira (PMDB). 
Geddel aproveitou ainda para dar o tom do discurso que pretende levar para a campanha. “Vamos apresentar um projeto alternativo, que não seja o retorno ao passado e que já teve repetidas chances; que não seja a preservação desse presente que não tem aproveitado as grandes oportunidades que o Brasil tem tido para colocar a Bahia em um patamar diferente no seu desenvolvimento”, colocou. “O PMDB vai dar aos baianos a opção de dar chance à ousadia, à construção de uma nova história, a quem ainda não teve chance de mostrar o muito que pode fazer pela Bahia”, acrescentou o ex-ministro.

Reforma na gestão da polícia é cogitada

O tema segurança pública também foi um dos destaques da entrevista do peemedebista. Ao analisar o crescimento da violência e da criminalidade no estado, Geddel apontou como uma das principais falhas na atual gestão “o fato das ações desenvolvidas pelo governo terem objetivos corporativistas” e a ausência de planejamento.  
“O governo anuncia, neste último ano de gestão, o aluguel de viaturas e motocicletas. De nada adianta colocá-las na Paralela para impressionar as pessoas, se a falta de planejamento faz com que no 5º Batalhão, ali vizinho à Governadoria, tenhamos 50 e às vezes até mais viaturas paradas por falta de combustível”, argumentou.
O pré-candidato também criticou o discurso do governador, que tem atribuído ao crack e ao cenário nacional o aumento da violência no Estado, “quando os indicadores apontam que o crescimento da criminalidade e da violência aumentou mais de cinco vezes que São Paulo e Rio de Janeiro, o índice de homicídios na capital cresceu em 80% e os assaltos a banco se espalham pelo interior”. 
Na entrevista, Geddel garantiu ainda que, no Governo do PMDB, haverá uma ampla reforma na gestão da Polícia, apresentando como uma das propostas “a implantação de barreiras fiscal e policial em pontos estratégicos para impedir a circulação de grupos criminosos, inclusive de outros estados”.

Indústria e varejo preveem melhor ano da história



O brasileiro engrenou, no início deste ano, um ritmo de consumo nunca visto para o período. Empresas constataram, entre janeiro e março, crescimento recorde, em produção e vendas, e preveem o melhor ano da história. Houve picos tanto nos bens duráveis (como eletrodomésticos) como nos não duráveis (alimentos).
Queda no desemprego, renda maior e crédito, fatores que ampliaram o poder de consumo das classes C e D, além de IPI reduzido e até a Copa do Mundo pressionam as altas.
A indústria de higiene pessoal e cosméticos produziu 10% a mais no primeiro bimestre contra igual período de 2009, recorde do setor. Os destaques foram os condicionadores (21%) e os esmaltes (26%).
A venda de computadores subiu 23% entre janeiro e março sobre igual período de 2009. Só não superou 2005, quando, com corte de PIS/ Cofins, cresceu 28%. Nos notebooks, a alta foi de 70%. “Crédito estimula a compra”, diz Hugo Valério, diretor da Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica.
Sem IPI até março, montadores produziram 24% mais carros no trimestre. A indústria de eletrodomésticos vendeu 25% mais itens da linha branca (o IPI acabou para eles em janeiro). O impacto da volta do imposto já foi sentido, mas a venda de eletrodomésticos ainda cresce. “Venderemos 10% mais neste ano”, diz o presidente da associação Eletros, dos fabricantes de eletrodomésticos e TVs, Lourival Kiçula.

Servidores da Justiça mantêm greve



Ludmilla Cohim


Vestidos de preto e carregando cruzes, os servidores da Justiça Federal realizaram, na tarde de ontem, após debate, um ato público no Centro Administrativo (CAB) em protesto contra a situação do Plano de Cargo e Salário (PCS) da categoria. Os manifestantes saíram em passeata pela Avenida Paralela, parando na Assembleia Legislativa em solidariedade aos servidores do Poder Judiciário Estadual, que também estão em greve desde o mês de maio.
A categoria é contra o Projeto de Lei Complementar (PLP) 549/09 que propõe o congelamento da despesa dos servidores por 10 anos sem concurso público e além disso lutam em defesa do Pl6613 que sugere o plano de cargos e dos salários.

Sem avanço nas negociações, a classe permanece em greve por tempo indeterminado há 23 dias.
O coordenador-geral do Sindicato dos Servidores do Judiciário Federal (Sindjufe-BA), Rogério Fagundes, enfatiza que o objetivo da manifestação é apresentar à sociedade os contratempos originados pela não realização de concursos para provimento de cargos e a diminuição da verba reservada para reformas e ampliações de espaços.


“Estamos cientes que a paralisação prejudica a população, mas tivemos que deflagrar a greve por tempo indeterminado em decorrência da necessidade de valorização do serviço público e da falta de acordo por parte do Governo e do Judiciário. Estamos com baixo efetivo e, sem concurso, ficamos assoberbados de trabalho. Temos a esperança de que haja um acordo para que possamos voltar a operar”, conta.  
 
Conforme relata a servidora e diretora do Sindjufe-BA, Denise Carneiro, anteontem houve uma reunião com o secretário de Recursos Humanos do Supremo Tribunal Federal (STF), Amarildo Vieira, quando foi exposta a atual situação dos trabalhadores. Na oportunidade, os líderes sindicais entregaram um documento de apoio ao projeto de revisão salarial da categoria. “O Supremo ficou de chegar a um acordo e, a depender do que ele nos apresente, vamos nos reunir com a categoria em Assembleia Geral na quarta-feira da próxima semana, às 10 horas, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), localizado no Comércio, e decidir se vamos ou não continuar com a greve”, explica.

O coordenador-geral do sindicato contou à Tribuna que o Plano de Cargo e Salário (PCS) da categoria está sendo discutido pelos Diretores Gerais dos Tribunais Superiores, em Brasília, e, a depender da negociação, os servidores podem ser beneficiados com o parcelamento do reajuste em duas vezes, com parcelas em janeiro e julho de 2011.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Servidores da Câmara terão aumento de até 40%

Sem alarde, projeto que cria novo plano de carreira para os 3.500 funcionários tramitou pelo Congresso. O impacto orçamentário previsto para 2011 com os aumentos é de meio bilhão




De forma discreta, sem alarde, tramitou pelo Congresso o projeto que cria o novo plano de carreira dos servidores da Câmara. O projeto encontra-se agora no Palácio do Planalto para sanção presidencial. Enquanto o presidente recebe recomendação da equipe econômica para vetar o aumento de 7,7% para os aposentados, o novo plano de carreira dos servidores da Câmara concede um reajuste, em média, de 15%, mas que, em alguns casos, chega a até 40%. Somados os vários aditivos possíveis, haverá servidores que chegarão ao teto constitucional de R$ 27.725 para os salários.

Hoje, o menor salário da Casa é de R$ 3.400, para quem tem nível médio, caso a pessoa não possua função comissionada ou vantagens pessoais incorporadas. O menor salário para quem tem curso superior é R$ 9.800. Se o plano for sancionado, quem tem curso superior ganhará de R$ 12 mil a R$ 17 mil. Mas, com funções comissionadas e adicionais a maior remuneração chegará ao teto do funcionalismo, R$ 27.725, considerando-se a maior função comissionada e o adicional de especialização, que só agora, 20 anos depois de previsto, passará a ser pago aos servidores.
Meio bilhão

Idealizado pela própria Mesa da Câmara, o plano, com impacto orçamentário de R$ 505 milhões previsto para 2011, quer igualar os salários dos servidores da Câmara com os rendimentos dos trabalhadores do Executivo e do Judiciário, que tiveram reajustes generosos a partir de 2008.

Os aumentos propostos pelo novo plano de carreira da Câmara são feitos basicamente com a criação de um fator multiplicador da Gratificação de Atividade Legislativa (GAL). O vencimento básico é o mesmo. O que aumenta é a gratificação, principalmente se o funcionário ocupar uma função comissionada (FC). Hoje, 76% dos 3.400 servidores da Casa possuem alguma FC.
Uma das medidas propostas pelo projeto de lei deixou dúvidas em três juristas e um consultor ouvidos pelo Congresso em Foco. Eles temem que o art. 4º permita que, futuramente, a Câmara aumente a GAL dos servidores por ato da Mesa sem a necessidade de lei. Diz o artigo:
Art. 4º A Mesa da Câmara dos Deputados fica autorizada a reestruturar e alterar a tabela de fatores da Gratificação de Atividade Legislativa.
A administração da Casa garante que não fará isso, por ser inconstitucional. Diz que vai se limitar a fazer eventuais reduções na GAL e remanejamentos de despesas, sem aumento de gastos. Mas os juristas e o consultor não pensam assim.
Cheque em branco
“Se o Legislativo confere à Mesa da Câmara um cheque em branco para atuar como queira, ele está abrindo mão da sua competência legislativa”, diz o professor de direito administrativo Pedro Serrano, mestre em Direito do Estado. “É profundamente antirepublicano e inconstitucional procurar se atribuir a uma autoridade administrativa [a Mesa] aumentar salários ou vencimentos quando queira.”
Para Serrano, há problemas mesmo que haja apenas reduções de gratificações de determinados grupos de servidores e aumento para outros. “Com isso, pode haver persecução aos servidores que não queiram atender aos interesses da autoridade administrativa e benefícios para os que queiram atender”, reflete.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, também estranhou o texto. “Essa possibilidade de conceder aumentos depende de questões orçamentárias. É por isso que o legislador remete isso à própria lei. Senão, o governador poderia fazer, a Assembleia Legislativa poderia fazer”, disse. “Não pode ser por vontade individual, da Mesa, da Presidência da República ou do Tribunal de Justiça.”

O preço da democracia



Luiz Holanda

Diferentemente dos países civilizados, onde a lei protege a sociedade dos maus elementos, o Brasil adotou em seu código penal uma lei inglesa do começo do século, instituindo o habeas corpus de forma bastante elástica. Por meio do “tenha teu corpo de volta”, nossos juízes e tribunais concedem liberdade a qualquer criminoso, por mais perigoso que seja, vulgarizando de tal modo o instituto que a única consequência estatisticamente comprovada é o aumento da criminalidade.
Com uma petição assinada por advogado e o pagamento de uma insignificante fiança, qualquer bandido pode aguardar livremente o seu julgamento, que pode até não acontecer, face a lentidão de nossa Justiça. A Constituição pátria determina que ninguém deva ser levado à prisão - ou nela mantido-, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança. Esse direito fundamental passou a ser a garantia do criminoso, pois mesmo quando a segurança pública impõe sua detenção, isso não acontece.
A impetração do remédio constitucional, garantidor da liberdade individual, passou a ser utilizado de forma abusiva, com desvio de sua finalidade jurídico-constitucional, descaracterizando sua exclusiva vocação de proteção da liberdade individual. Os institutos jurídicos, tal qual ocorre com os conceitos e significados, têm o seu ciclo natural de apogeu, glória e decadência. Por isso, ao não se estruturarem com seriedade sistemática os remédios constitucionais garantidores da liberdade, sua aplicação sem critérios tende a fazer com que esses próprios institutos percam a sua eficácia, pois passam a servir de escudo protetor dos criminosos, como atualmente acontece.
Outra garantia que terminou por ser protegida pela lei e pela Justiça é a da impunidade, principalmente daqueles privilegiados que não podem ser julgados nem condenados por juízes comuns. O debate sobre esse tema já dura algumas décadas, muito embora a sociedade continue desprotegida até hoje, principalmente dos vândalos, que, em seu nome, exercem o poder com a única finalidade de privatizar o dinheiro público em seu próprio proveito. Qualquer pessoa interessada em nossa história sabe que a política deste país foi construída em cima de alguns pilares, sendo, o primeiro deles, a corrupção nas eleições.
Segundo o grande juiz, Victor Nunes Leal, essa praga sempre esteve inteiramente ligada à nossa política desde o império, enquanto o pilar da democracia americana, desde a ruptura das treze colônias com a Inglaterra, sempre foi e ainda é tolerância zero com a criminalidade. Lá não se adota o sistema de foro privilegiado, enquanto entre nós, desde a Constituição de 1891, o ciclo só tem aumentado.
Quando nossos midiáticos ministros, integrantes do Poder Judiciário, se apresentam diante das câmeras de televisão para apregoar que a impunidade é apenas um preço módico que devemos pagar por vivermos numa democracia, os criminosos se sentem seguros para continuar praticando todos os delitos, pois, confiando nessa garantia, ousam desafiar, cotidianamente, a ordem pública e o regime democrático.
Quando se pensava que a saída do ministro Gilmar Mendes da presidência doSTF poderia modificar alguma coisa, eis que o corporativismo daquela corte impediu e impede qualquer mudança que possa diminuir ou mesmo ameaçar os privilégios de suas excelências, pois obrigaria os outros poderes a fazerem a mesma coisa. Ao copiarmos da Constituição italiana o artigo da presunção da não culpabilidade, nossa Magna Carta limitou-se a negar a culpa, e não a presunção de inocência. Com isso abriram-se as brechas para se escapar de qualquer punição, seja de que lei for. Para agravar a situação, nossos juízes também são privilegiados com a impunidade.
 Vários deles, corruptos notórios, foram privilegiados com a aposentadoria integral por terem sujado a própria instituição, enquanto os magistrados honestos, probos e íntegros são obrigados a trabalhar até o final da vida para se aposentarem. Isso, segundo alguns dos nossos ministros do STF, é o preço módico que pagamos por viver numa democracia.